A matéria prima que se escolhe para trabalhar traz em si muito do que se pretende desde o resultado plástico e funcional imediatamente relacionado ao produto final, até as intenções menos diretas associadas a questões maiores concernentes ao relacionamento do produto com a sociedade e seu ambiente. A madeira traz consigo características peculiares que lhe conferem larga vantagem sobre outros materiais, em primeiro lugar por sua condição de recurso absolutamente renovável, desde que explorada de forma sustentável, garantindo a sobrevivência e o florescimento das florestas nativas dos mais diferentes tipos de vegetação ao redor do mundo. Em segundo lugar pode-se citar a variedade de espécies, com suas cores, texturas, cheiros, densidades, sabores, pratos cheios para o criador inspirado. Em terceiro lugar vem a trabalhabilidade da madeira, que traz inúmeras possibilidades e se presta com a mesma maestria a construções de edificações, pontes, embarcações, instrumentos musicais, peças de mobiliário, esculturas, gravuras, brinquedos, jogos etc. E à frente de tudo o que podemos atribuir a esse material tão rico e complexo, a natureza ainda nos abre, com sua generosidade sem limite, a possibilidade de resgatarmos valores perdidos de cooperação mútua homem/meio ambiente, de estímulo à produção e consumo conscientes de bens duráveis, atóxicos e biodegradáveis e do trabalho do artífice que manuseia a madeira com amor e simpatia.