Design e sustentabilidade são indissociáveis, a meu ver, mas essa idéia realmente foi perdendo sua obrigatoriedade intrínseca a partir da revolução industrial. As guildas, ou oficinas de artesãos traziam essa associação de forma intuitiva, natural, não se falava no assunto, porque ele já era parte do cotidiano, porém a corrida por produtividade e consumo como sustentáculos das sociedades modernas nos afastou das relações harmoniosas com a natureza, nos colocando acima do meio ambiente, como se pudéssemos dirigi-lo ou até devastá-lo sem sofrer as conseqüências de nossos próprios atos. Eu procuro no meu trabalho aprender diariamente a resgatar o que nos foi natural um dia, o respeito pela natureza da qual somos somente uma pequena parte, e faço isso através do uso consciente de uma das poucas matérias primas renováveis de que dispomos, a madeira, procurando adquiri-la de fontes sustentáveis, e através do manuseio na oficina de forma a resgatar técnicas tradicionais de marcenaria e da produção de peças com maior longevidade, que possam durar por gerações, desestimulando o consumo desenfreado.A natureza é minha grande fonte inspiradora, a água, o movimento das nuvens, o curso de um rio, a sinuosidade de um galho de árvore. E alguns criadores ao longo do tempo que souberam transpor para suas obras também sua visão da natureza, como Gaudi, Frank Lloyd Wright, Tapio Wirkala entre outros.